Leveza a leveza:
A leveza que se cria no ato de tecer,
escrever!
Eu Luiza Glads,
Eu Luiz Carlos
Dois olhos, um olhar
Dois olhares, em nossos olhos
Espelho de opiniões diversas
Como não falar de poesia
Se sou poesia?
Como ser poesia
Sem leveza?
Como representar a oposição peso
e leveza
Sem o bom, o mal, o leve e o
banal
Ou seria o pesado?
Peso do mundo
Peso das coisas,
Do meu corpo em contato com o intocável
A força da gravidade (não
sentimos, seria ela então leve?)
Que leva o seio a cair de sua
glória
A escultura que se forma é
resultante do tempo
que passa sem demora, é algo
extremamente natural, leve
Mas a sociedade coloca a margem
da perfeição feminina
o que outrora foi belo enquanto materno
causa náuseas, repulsa
o mundo que cultua o corpo
a partir de estereótipos irreais
“photoshopados”
“lipoaspirados”
“Multilados”
“transformados”.
Como Luiza
Vivo o preconceito
Invisível,
Disfarçado
Como Luiz
Passo de vítima a Algoz
Torno-me os meninos que mataram
Gisberta
Seu único mal foi nascer no corpo
que não te pertencia
Como Luiz
Sou menos luz e mais macho
Como Luiz
Sou Carlos, Erico, Marcos, André,
Mauricio
E tantos outros
Mas também sou vitima
Dos meus medos
E dos meus desejos
Talvez porque meu corpo não
esteja mais tão apetitoso
Mas com ele posso tocar, sentir
Me tornar poderoso e mais próximo
a tudo que me cerca
Assimilar tudo que chega até mim
Tocar o mundo e ser tocado por
ele
É com esse sentimento de
pertencimento que Nuno Ramos descreve seu personagem 70% mais gordo. Ele faz
poesia do leviano, trata com leveza um tema tão pesado para o senso comum, pois
quem pode ser feliz com o corpo avantajado? Ele (o personagem) pode, através da
descoberta do prazer em ocupar mais espaço, o engordar.
Enquanto Calvino visa explicar as
variadas perspectivas do conceito de leveza. Nuno nos deleita com a leveza em
romper com os parâmetros sociais sem nenhuma queda de braço, apenas com a
licença poética. O toque sobre o toque e a descoberta de um novo mundo de
experimentações.
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