quinta-feira, 31 de março de 2016

Alegria, Alegria?

Sobre a cabeça os aviões, sobre os meus pés os quedes vermelhos de minha irmã... Viva a bossa, viva a palhaçada!!! Somos todos palhaços, somos todos macacos...
Sem querer incitar um debate político, mas a realidade que vivemos hoje (como se antes fosse completamente diferente, não sei, talvez, mas eu vivo agora e o agora me detesta) não constrói um filme com final feliz, só uma vontade de gritar: PARE O MUNDO, EU QUERO DESCER!

Vou colocar meus sapatos de Perseu e voar para outra linha-tempo onde os problemas do mundo sejam um sapato apertado. Voar para o universo infinito da literatura e virar poema, mas que mulher, mas que vulcão, mas que guerreira, a Deusa dos sapatos com asas ou será um Deus de sapatos voadores? Quem pensou em tanta magia ao criar os mitos, os deuses, os heróis e os ídolos? Criam-se mundos paralelos que se confundem com o real - nos imaginários mais férteis – para alimentar as chamas da esperança, o bom Pão e Circo.

Dotados de toda leveza cultivamos tradições e inserimos nossas crianças que muitas vezes não entendem o que está acontecendo, mas ocupam aquela função sem ao menos tentar saber o porquê.
E a vontade de gritar aumenta: PARE O MUNDO... ele parou?
Talvez, quem sabe? Tá tudo tão estranho, pesado. 
Arreio meus ombros, EU não sou capaz de carregar uma cruz, nem morrer pregada a ela, não posso ser a figura a se perpetuar como o Salvador. Nem Maria, nem Jesus, nem Madalena, nem João. Se depender de um mártir, nos tempos de hoje, nosso reino está condenado. Judas vive e seu pecado nos condena.
Condenados ao peso da manhã após acordarmos e nos depararmos com a medusa.
-Não olhe nos olhos dela!
Olhos cerrados vamos seguindo dia após dia. No final estamos cegos por medo de abrir os olhos, ou passamos a olhar de um outro ângulo o monstro que criamos para nos assombrar.
O peso do mundo nos torna inertes, e assim fazemos o leve se tornar menos natural e mais paradoxal e do paradoxo uma constante.  
Chegamos a oposição leveza e peso, verdade e mentira, bom e mau, o incerto e o perfeito. Ideias que nem sempre se contrapõe, mas são rivais por tradição.  Essas dicotomias me lembram um certo diálogo:
- O que é mais pesado 1kg de pena, ou 1kg de pedra?
- Ora que pergunta mais idiota, lógico que é 1kg de pedra.
- Então, se eu aumentar mais 1kg de pena, a pedra continuará mais pesada?
- Com certeza.
Isso me faz pensar nas verdades tão claras que é difícil questionar sem parecer uma dúvida “idiota”, mas que para mim são tão inverdades como o fato de 1kg de pedra pesar mais que 1kg de qualquer outra coisa mesmo que esta tenha na sua natureza uma certa leveza. Trata-se de ideias pré-concebidas que se perpetuam como formiga ao redor do açúcar. O famoso “achismo” que se torna verdade absoluta e irrefutável.
Um grito pula da minha garganta: O que é que há meu pais? Diz o que precisamos para parar esse trem desgovernado? Vamos chegar ao fim?

Contudo, no fim, tudo dito é tão mais irreal do que poético, mesquinho e sem valor. Nada é real trata-se de uma ficção, mal editada.

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